"Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."
(Ana Jácomo)
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O trabalho é o amor feito visível...
E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.
E todo impulso é cego, exceto quando há saber.
E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.
E todo o trabalho é vazio, exceto quando há amor.
E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus.
E o que é trabalhar com amor?
(. . .)

É pôr em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma."
(Khalil Gibram)
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010

Tenho de ter paciência para não me perder dentro de mim, vivo me perdendo de vista.
Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco sem saída.
Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.
O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo.
Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo.
Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo.
E tudo o que eu amo é arriscado.
Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes.
Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca...
(Clarisse Lispector)
sábado, 13 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
"Houve um momento em que o aperto foi tão extremo e aflitivo que eu imaginei não conseguir suportar. Eu nem sabia que, exatamente naquele ponto, a natureza tecia asas para mim, em silêncio, mas foi lá que senti que eu era feita também para voar.

O aperto, entendi somente depois, era uma espécie de morte, um prenúncio da transformação, uma ponte que me levaria a outro modo de ser."
(Ana Jácomo)
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Chegando...

"Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas,
num trecho ou outro da estrada,
eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam
me quebrado toda por dentro.
Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar,
nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção
de qualquer tentativa.
Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de
algum tempo para recuperar o fôlego outra vez.
Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida.
Um espaço para a gente quase se reinventar.
O tempo passa. O fôlego retorna.
Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer
nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria.
A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor,
ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo.
E ele chega."
(Ana Jácomo)
domingo, 7 de novembro de 2010

“Inconscientemente, parecia querer buscar em autores, filmes e músicas, algum tipo de consolo. Como se alguém precisasse chegar bem perto do sofá, onde estava, colocar uma das mãos em seu ombro e dizer que aquilo era normal. Que acontecia também com outras pessoas. E que iria passar...’
(Caio Fernando Abreu)
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
(Clarisse Lispector)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
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